Este livro acompanha as sete eleições municipais de 2000 a 2024. É o volume 2 de Direita e esquerda nas urnas: 2002–2026, e cada capítulo aponta para as eleições gerais de antes e de depois. A pergunta que atravessa os dois volumes é simples: quem ganhou a cadeira presidencial e quem ganhou o resto do mapa político.
As duas vitórias
Vitória pela cadeira presidencial: quem ocupa a Presidência da República. É um cargo só, decidido pela maioria dos votos válidos.
Vitória política como um todo: quem controla o restante do mapa. Entram a Câmara, o Senado, os governos estaduais, as prefeituras e as capitais.
O ciclo: cada ciclo junta uma eleição geral e a eleição municipal dois anos depois (2002 e 2004, 2006 e 2008, e assim por diante). A eleição de 2000 é o ponto de partida, antes da primeira vitória de Lula.
Lula × Bolsonaro
O lado de Lula: medido pelo PT, o partido dele, e pelos candidatos que ele apoiou publicamente. Nas eleições gerais, o lado inclui Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Fernando Haddad (2018).
O lado de Bolsonaro: até 2016, Jair Bolsonaro era deputado federal, sem papel nacional nas eleições municipais. A partir de 2018, dentro ou fora da Presidência, ele é o polo oposto a Lula. Medimos os candidatos que apoiou, o PL, partido ao qual se filiou em novembro de 2021, e, em 2026, a candidatura de Flávio Bolsonaro, que ele indicou.
Os duelos diretos: disputas em capitais com um candidato apoiado por Lula contra um apoiado por Bolsonaro. São o confronto mais limpo entre os dois nas urnas municipais.
A classificação dos partidos
É a mesma do volume 1, pela posição de cada partido na época. Partidos que só aparecem nas eleições municipais entram na tabela do capítulo em que aparecem.
PMDB/MDB, PSDB, PSD (a partir de 2011), PPS/Cidadania, PTN/Podemos, Solidariedade, PROS, PTdoB/Avante, PHS, PMN/Mobiliza, PTC/Agir, PSDC/DC, PAN, PRD, PMB
Esquerda
PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PPL
As duas medidas
Prefeituras: as cerca de 5.570 do país. Mostram a força das máquinas partidárias no interior.
Capitais: as 26 capitais estaduais (Brasília não elege prefeito). Nelas a disputa é mais nacional e mais ideológica.
Ressalva: na política municipal, a fidelidade ao campo é menor, e muitos prefeitos trocam de partido depois de eleitos. Contamos sempre o partido pelo qual cada prefeito foi eleito.
Quando não encontramos um número, dizemos isso no capítulo.
Eleição municipal
2000: o ponto de partida
Em 2000, o centro (2.413) e a direita (2.405) ficaram praticamente empatados nas prefeituras, e a esquerda teve 622, ou 11%. Nas capitais o quadro era outro: a esquerda liderava, com 12 das 26.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Sem classificação
Prefeituras (5.559)
2.405 (43%)
2.413 (43%)
622 (11%)
119 (2%)
Capitais (26)
6
8
12
0
Maiores partidos: PMDB 1.257, PFL 1.028, PSDB 990 e PPB 618 prefeituras.
Direita: PFL 1.028, PPB 618, PTB 398, PL 234, PSD 111 e PST/PGT 16. O levantamento do PT soma o PSD ao PTB e o PST e o PGT ao PL, partidos em que se fundiram depois.
Sem classificação: 119 prefeituras de partidos pequenos. Não encontramos a divisão delas por partido.
Capitais: PT 6; PSDB, PSB e PMDB 4 cada; PFL 3; PDT 2; PTB, PL e PPB 1 cada. O levantamento do PT repete a sigla PPS numa linha; o artigo da UFSC registra uma capital do PPB, e assim contamos.
Lula: ainda não era presidente. O PT elegeu 187 prefeitos e 6 capitais.
Bolsonaro: era deputado federal, sem papel nacional na eleição municipal.
Avaliação do governo: em junho de 2000, o governo FHC tinha 19% de ótimo ou bom, 38% de regular e 41% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).
Ligação com o volume 1
Dois anos depois, Lula venceu a Presidência pela primeira vez. O resultado está no capítulo 2002 de Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2004: a primeira com Lula presidente
Na primeira eleição municipal com Lula no Planalto, o PT mais que dobrou suas prefeituras, de 187 para 411. A esquerda chegou a 15 das 26 capitais, mas o centro seguiu à frente no total de prefeituras, com 2.234.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Sem classificação
Prefeituras (5.562)
2.148 (39%)
2.234 (40%)
958 (17%)
222 (4%)
Capitais (26)
2
9
15
0
Maiores partidos: PMDB 1.057, PSDB 871, PFL 790 e PP 552 prefeituras.
Lula: no segundo ano de governo, o PT ganhou 224 prefeituras. Perdeu, porém, São Paulo e Porto Alegre, que governava.
Bolsonaro: deputado federal, sem papel nacional na eleição municipal.
Avaliação do governo: em agosto de 2004, o governo Lula tinha 35% de ótimo ou bom, 45% de regular e 17% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a primeira vitória de Lula (2002) e a reeleição dele (2006). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2008: Lula no segundo mandato
Em 2008, a esquerda chegou a 1.328 prefeituras (24%) e manteve a maioria relativa das capitais, com 12. O PT venceu seis capitais no primeiro turno, mas perdeu todas as que disputou no segundo, inclusive São Paulo.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Sem classificação
Prefeituras (5.553)
1.964 (35%)
2.163 (39%)
1.328 (24%)
98 (2%)
Capitais (26)
4
10
12
0
Maiores partidos: PMDB 1.203, PSDB 786, PT 557 e PP 550 prefeituras.
Direita: PP 550, DEM 496, PTB 418, PR 386, PSC 60 e PRB 54.
Lula: os partidos da base do governo federal venceram em 18 capitais, e a oposição, em 7, pela contagem de Kerbauy, que deixa uma das 26 capitais fora dos dois grupos.
A derrota simbólica: em São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) venceu Marta Suplicy (PT). O PT perdeu também em Porto Alegre.
Bolsonaro: deputado federal, sem papel nacional na eleição municipal.
Avaliação do governo: em setembro de 2008, o governo Lula tinha 64% de ótimo ou bom, 28% de regular e 8% de ruim ou péssimo no Datafolha (Money Times).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a reeleição de Lula (2006) e a vitória de Dilma Rousseff (2010). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2012: o auge da esquerda nas prefeituras
Em 2012, com Dilma Rousseff na Presidência, a esquerda teve seu melhor resultado da série nas prefeituras: 1.530 (28%). Nas capitais, fez 13, abaixo das 15 de 2004. A direita caiu para 1.545, em parte porque o recém-criado PSD, que classificamos como centro, recebeu prefeitos do DEM.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Prefeituras (5.517)
1.545 (28%)
2.442 (44%)
1.530 (28%)
Capitais (26)
4
9
13
Maiores partidos: PMDB 1.015, PSDB 686, PT 630 e PSD 495 prefeituras.
Direita: PP 474, PTB 298, DEM 276, PR 274, PSC 82, PRB 79, PSL 23, PRP 23 e PRTB 16.
Lula: fora do governo, teve a vitória mais visível. Em São Paulo, Fernando Haddad (PT) venceu José Serra (PSDB) com 55,57% dos votos válidos (resultado).
O PT: chegou a 630 prefeituras, o maior número do partido na série. A eleição ocorreu durante o julgamento do mensalão no STF (ConJur).
Bolsonaro: deputado federal, sem papel nacional na eleição municipal.
Avaliação do governo: em agosto de 2012, o governo Dilma tinha 62% de ótimo ou bom, 30% de regular e 7% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a vitória de Dilma (2010) e a reeleição dela (2014). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2016: depois do impeachment
Em 2016, logo depois do impeachment de Dilma Rousseff, o PT caiu de 630 para 254 prefeituras e ficou com uma capital, Rio Branco. O centro teve seu maior resultado da série: 2.769 prefeituras (50%) e 16 capitais.
Deputados comemoram no plenário da Câmara a aprovação da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Prefeituras (5.568)
1.594 (29%)
2.769 (50%)
1.205 (22%)
Capitais (26)
2
16
8
Maiores partidos: PMDB 1.042, PSDB 807, PSD 543 e PP 497 prefeituras.
Lula: o PT, que tinha vencido em quatro capitais em 2012, inclusive São Paulo, ganhou só em Rio Branco. Perdeu 60% das prefeituras em relação a 2012 (de 630 para 254) (Congresso em Foco).
O governo Temer: apenas seis capitais ficaram com partidos de fora da base do presidente Michel Temer.
Bolsonaro: ainda deputado federal. A direita ganhou duas capitais, Rio de Janeiro (PRB) e Salvador (DEM).
Avaliação do governo: em julho de 2016, ainda como interino, Temer tinha 14% de ótimo ou bom, 42% de regular e 31% de ruim ou péssimo no Datafolha (Diario de Pernambuco; Sul21).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a reeleição de Dilma (2014) e a vitória de Bolsonaro (2018). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2020: Bolsonaro presidente
Em 2020, com Bolsonaro no Planalto, a direita voltou a crescer, para 2.220 prefeituras (40%), mas o centro seguiu à frente, com 2.485. Dos 61 candidatos que Bolsonaro apoiou, 15 foram eleitos. O PT não venceu em nenhuma capital.
Sessão solene de posse de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, em 1º de janeiro de 2019, depois da vitória de 2018.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Prefeituras (5.568)
2.220 (40%)
2.485 (45%)
863 (15%)
Capitais (26)
7
14
5
Maiores partidos: MDB 802, PP 696, PSD 666 e PSDB 534 prefeituras.
Direita: PP 696, DEM 477, PL 351, PTB 216, Republicanos 214, PSC 117, PSL 92, Patriota 50, PRTB 6 e Novo 1.
Centro: MDB 802, PSD 666, PSDB 534, Cidadania 141, Podemos 105, Solidariedade 95, Avante 83, PROS 43, PMN 13, e DC, PMB e PTC com 1 cada.
Bolsonaro: apoiou 61 candidatos a prefeito e a vereador; 15 foram eleitos, nenhum em capital (Poder360).
Lula: o PT elegeu 183 prefeitos e nenhum prefeito de capital, algo inédito desde a redemocratização, segundo o Poder360.
Avaliação do governo: em agosto de 2020, o governo Bolsonaro tinha 37% de ótimo ou bom, 27% de regular e 34% de ruim ou péssimo no Datafolha, a melhor marca do mandato até então (Tribuna de Jundiaí).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a vitória de Bolsonaro (2018) e a volta de Lula (2022). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
Eleição municipal
2024: Lula de volta, Bolsonaro como cabo eleitoral
Em 2024, com Lula de volta ao Planalto, a esquerda ficou com 749 prefeituras (14%), o menor número desde 2000, e 2 capitais, o menor da série. A direita somou 2.303 prefeituras e 11 capitais, e o PL, partido de Bolsonaro, chegou ao maior número de prefeituras de sua história.
Resultados
Medida
Direita
Centro
Esquerda
Prefeituras (5.529)
2.303 (42%)
2.477 (45%)
749 (14%)
Capitais (26)
11
13
2
Maiores partidos: PSD 887, MDB 855, PP 747 e União 583 prefeituras. Foi a primeira vez desde 1988 que o MDB não elegeu o maior número de prefeitos (Band).
Direita: PP 747, União 583, PL 516, Republicanos 437, Novo 19 e PRTB 1.
Primeiro turno nas capitais: aliados de Lula venceram em duas, Recife (João Campos) e Rio de Janeiro (Eduardo Paes). Os de Bolsonaro venceram em quatro: Florianópolis, Boa Vista, Rio Branco e Maceió (SBT News).
Segundo turno: Bolsonaro tinha candidatos em 14 capitais; Lula, em 5. As cinco de Lula foram duelos diretos com Bolsonaro: São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Cuiabá e Natal.
Os duelos diretos: o lado de Bolsonaro venceu quatro (São Paulo, Porto Alegre, Cuiabá e Natal) e o de Lula, um (Fortaleza). Em São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) venceu Guilherme Boulos (PSOL) (CNN); em Fortaleza, Evandro Leitão (PT) venceu André Fernandes (PL) (Metrópoles).
PL e PT: o PL perdeu sete das nove capitais que disputou no segundo turno (Bloomberg Línea) e terminou com 4 capitais, contra 1 do PT. Em 2020, o PL não tinha vencido em nenhuma.
Os padrinhos em campanha: entre os candidatos que receberam visita dos dois, venceram 23% dos apoiados por Lula e 37% dos apoiados por Bolsonaro (O Povo).
Quem levou a maioria: nas 15 capitais com segundo turno, os candidatos apoiados por governadores venceram em 9 (CNN).
Avaliação do governo: em agosto de 2024, o governo Lula tinha 35% de ótimo ou bom, 30% de regular e 33% de ruim ou péssimo no Datafolha (Poder360).
Ligação com o volume 1
A eleição fica entre a volta de Lula (2022) e a reeleição dele (2026). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.
As capitais, 2000–2024
A esquerda liderou as capitais nas quatro eleições até 2012 e chegou a 15 em 2004. Desde 2016, o centro está à frente, e em 2024 a direita teve 11 capitais, contra 2 da esquerda.
Prefeitos das capitais por campo, dos capítulos deste livro · classificação do autor
Por partido
Partido
2000
2004
2008
2012
2016
2020
2024
PT
6
9
6
4
1
0
1
PSDB
4
5
4
4
7
4
0
PMDB/MDB
4
2
6
2
4
5
5
PSD (criado em 2011)
—
—
—
1
2
2
5
PFL/DEM/União
3
1
1
2
1
4
4
PL (PR)
1
0
0
0
0
0
4
PSB
4
3
3
5
2
2
1
PDT
2
3
1
3
3
2
0
PP (PPB)
1
0
1
2
0
2
2
Podemos
0
0
0
0
0
1
2
PRB/Republicanos
0
0
0
0
1
1
1
Avante
0
0
0
0
0
1
1
PTB
1
1
2
0
0
0
0
PPS/Cidadania
0
2
0
1
1
1
0
PSOL
0
0
0
1
0
1
0
PCdoB
0
0
1
0
1
0
0
Outros
0
0
1 (PV)
1 (PTC)
3 (PHS, PMN, Rede)
0
0
Capital por capital, 2008–2024
O partido é o do prefeito no dia da eleição.
Capital
2008
2012
2016
2020
2024
Aracaju (SE)
PCdoB
DEM
PCdoB
PDT
PL
Belém (PA)
PTB
PSDB
PSDB
PSOL
MDB
Belo Horizonte (MG)
PSB
PSB
PHS
PSD
PSD
Boa Vista (RR)
PSB
PMDB
PMDB
MDB
MDB
Campo Grande (MS)
PMDB
PP
PSD
PSD
PP
Cuiabá (MT)
PSDB
PSB
PMDB
MDB
PL
Curitiba (PR)
PSDB
PDT
PMN
DEM
PSD
Florianópolis (SC)
PMDB
PSD
PMDB
DEM
PSD
Fortaleza (CE)
PT
PSB
PDT
PDT
PT
Goiânia (GO)
PMDB
PT
PMDB
MDB
União
João Pessoa (PB)
PSB
PT
PSD
PP
PP
Macapá (AP)
PDT
PSOL
Rede
Cidadania
MDB
Maceió (AL)
PP
PSDB
PSDB
PSB
PL
Manaus (AM)
PTB
PSDB
PSDB
Avante
Avante
Natal (RN)
PV
PDT
PDT
PSDB
União
Palmas (TO)
PT
PP
PSB
PSDB
Podemos
Porto Alegre (RS)
PMDB
PDT
PSDB
MDB
MDB
Porto Velho (RO)
PT
PSB
PSDB
PSDB
Podemos
Recife (PE)
PT
PSB
PSB
PSB
PSB
Rio Branco (AC)
PT
PT
PT
PP
PL
Rio de Janeiro (RJ)
PMDB
PMDB
PRB
DEM
PSD
Salvador (BA)
PMDB
DEM
DEM
DEM
União
São Luís (MA)
PSDB
PTC
PDT
Podemos
PSD
São Paulo (SP)
DEM
PT
PSDB
PSDB
MDB
Teresina (PI)
PSDB
PSDB
PSDB
MDB
União
Vitória (ES)
PT
PPS
PPS
Republicanos
Republicanos
Para 2000 e 2004, não encontramos a lista completa por capital, só a contagem por partido.
O que os números mostram
O partido de Lula nas capitais: o PT foi de 6 capitais em 2000 para 9 em 2004, o auge da série. Depois caiu para 6, 4, 1 e nenhuma em 2020. Em 2024, voltou a Fortaleza, sua única capital.
O partido de Bolsonaro nas capitais: o PL não tinha nenhuma em 2020 e fez 4 em 2024: Aracaju, Cuiabá, Maceió e Rio Branco. Nos cinco duelos diretos de 2024 entre apoiados de Lula e de Bolsonaro, o lado de Bolsonaro venceu quatro.
A queda do PSDB: o partido teve 7 capitais em 2016, inclusive São Paulo, e nenhuma em 2024.
O centro nas capitais: em 2024, MDB e PSD somaram 10 das 26 capitais, 5 cada.
Recife e Boa Vista mantiveram o partido: de 2012 a 2024, o PSB venceu as quatro eleições no Recife, e o PMDB/MDB, as quatro em Boa Vista. Salvador ficou com o DEM e, em 2024, com o União, partido que nasceu da fusão do DEM com o PSL.
O prefeito fica, o partido muda: no Rio de Janeiro, Eduardo Paes venceu em 2008 e 2012 pelo PMDB, em 2020 pelo DEM e em 2024 pelo PSD.
São Paulo teve quatro partidos no comando: DEM em 2008, PT em 2012, PSDB em 2016 e 2020, e MDB em 2024.
A cadeira presidencial e o resto: Lula × Bolsonaro, ciclo a ciclo
O lado de Lula ganhou a cadeira presidencial em seis das sete eleições gerais, e Bolsonaro, em uma. No resto do mapa, o quadro é outro: desde 2022, Lula ocupa a cadeira presidencial com o menor apoio do seu campo em toda a série na Câmara, nos governos estaduais, nas prefeituras e nas capitais.
O campo do presidente em cada arena
Cada linha mostra quanto o campo do presidente eleito conquistou nas outras arenas do mesmo ciclo. Os números da Câmara e dos governadores vêm do volume 1; os das prefeituras e capitais, dos capítulos deste livro.
Ciclo
Cadeira presidencial
Câmara (de 513)
Governadores (de 27)
Prefeituras, dois anos depois
Capitais, dois anos depois (de 26)
2002–2004
Lula, esquerda
151
8
958 (17%)
15
2006–2008
Lula, esquerda
163
10
1.328 (24%)
12
2010–2012
Dilma, esquerda
183
11
1.530 (28%)
13
2014–2016
Dilma, esquerda
146
11
1.205 (22%)
8
2018–2020
Bolsonaro, direita
216
9
2.220 (40%)
7
2022–2024
Lula, esquerda
125
7
749 (14%)
2
2026–2028
Lula, esquerda
124
4
eleição em 2028
eleição em 2028
Prefeituras por campo, 2000–2024, dos capítulos deste livro · percentuais sobre o total de cada levantamento · classificação do autor
O que os números mostram
O ciclo mais completo do Lulismo foi 2010–2012. Além da cadeira presidencial, a esquerda teve a maior bancada por campo na Câmara (183), 13 capitais e 28% das prefeituras. Nos governos estaduais, o centro seguiu à frente.
A esquerda cresceu nas prefeituras enquanto governou, até 2012. Foi de 11% em 2000 para 28% em 2012. Depois caiu em todas as eleições: 22% em 2016, 15% em 2020 e 14% em 2024.
O ciclo de Bolsonaro (2018–2020) foi parcial. A direita teve a maior bancada da Câmara (216) e empatou nos governos estaduais, mas o centro liderou prefeituras e capitais. Dos 61 candidatos que Bolsonaro apoiou em 2020, 15 foram eleitos.
Desde 2022, cadeira presidencial e resto se separaram. Lula ocupa a Presidência, enquanto a direita tem maioria absoluta na Câmara (260 de 513) e o maior bloco de governadores (11 em 2022, 14 em 2026). Em 2024, a direita teve três vezes as prefeituras da esquerda (2.303 contra 749) e 11 capitais contra 2.
No confronto direto, o placar de 2024 foi 4 a 1 para o lado de Bolsonaro. Mesmo assim, o PL perdeu sete das nove capitais que disputou no segundo turno.
O centro nunca perdeu as prefeituras. Teve o maior bloco em todas as sete eleições municipais, em 2000 por apenas oito prefeituras. Nenhum dos dois polos venceu essa arena.
A popularidade do governo e a cadeira presidencial
Datafolha, uma pesquisa por eleição, em geral de agosto do ano eleitoral (junho em 2000, outubro em 2002, setembro em 2008, julho em 2016, junho em 2018) · ponto cheio: eleição geral; ponto claro: municipal · fontes nos capítulos e no volume 1
Governos com mais ótimo ou bom do que ruim ou péssimo elegeram seus candidatos: Lula em 2006 (52% de ótimo ou bom), Dilma em 2010 (governo Lula com 79%) e Dilma em 2014 (38%).
Governos com mais ruim ou péssimo do que ótimo ou bom perderam: em 2002 (FHC, 23%), 2018 (Temer, 3%) e 2022 (Bolsonaro, 30%), o candidato do governo foi derrotado.
2026 foi a exceção da série: Lula venceu com saldo negativo (33% de ótimo ou bom e 41% de ruim ou péssimo em agosto) e com índice abaixo dos 38% de Dilma em 2014, até então o menor índice de um governo que ganhou a eleição.
Mesma avaliação, prefeituras diferentes: em agosto de 2004 e de 2024, o governo Lula tinha 35% de ótimo ou bom. A esquerda fez 958 prefeituras em 2004 e 749 em 2024.
Qual medida usamos: a série do Datafolha de avaliação do governo (ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo), a mais longa disponível. A aprovação pessoal do presidente é outra pergunta: em agosto de 2026, 47,3% aprovavam Lula e 48,2% desaprovavam, na pesquisa CNT/MDA (Band).
Bolsonaro fora da cadeira presidencial
Bolsonaro deixou a Presidência em 2023, mas nas duas eleições seguintes a direita e o PL cresceram. Em 2026, inelegível, preso e proibido pelo STF de se manifestar publicamente, ele teve como candidato do PL o filho Flávio, indicado em dezembro de 2025, que terminou o primeiro turno à frente de Lula.
Eleição
Situação de Bolsonaro
Direita
Partido de Bolsonaro
2018, geral
eleito presidente
Câmara 216 · governadores 9 · Senado 19 de 54
PSL: 52 deputados
2020, municipal
presidente, sem partido
2.220 prefeituras (40%) · 7 capitais
15 eleitos entre os 61 candidatos que apoiou
2022, geral
perdeu a reeleição
Câmara 260 · governadores 11 · Senado 19 de 27
PL: 99 deputados · 8 senadores · 2 governadores
2024, municipal
fora do cargo, inelegível
2.303 prefeituras (42%) · 11 capitais
PL: 516 prefeituras · 4 capitais
2026, geral
inelegível, em prisão domiciliar e proibido de se manifestar publicamente; indicou Flávio Bolsonaro
Câmara 260 · governadores 14 · Senado 30 de 54
PL: 121 deputados · 19 senadores · 6 governadores
No Congresso e nos estados: de 2022 para 2026, o PL foi de 99 para 121 deputados e de 8 para 19 senadores. A direita passou de 11 para 14 governadores.
Nas prefeituras: o PL foi de 351 prefeituras em 2020 para 516 em 2024, o maior número da história do partido. Nas capitais, foi de nenhuma para 4.
Na disputa pela cadeira presidencial: em 2026, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula e perdeu o segundo com 48,22% dos votos válidos.
A escolha do candidato: preso preventivamente em 22 de novembro de 2025 e cumprindo, desde o dia 25, pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro comunicou a escolha de Flávio em dezembro de 2025 (Tribuna de Minas; SBT News).
Sem voz pública na campanha: em prisão domiciliar desde março de 2026, Bolsonaro estava proibido de usar redes sociais e telefone e de se manifestar por meio de terceiros. Em julho, depois que Flávio leu uma carta dele nas redes, o STF suspendeu as visitas sociais por 30 dias e proibiu visitas com fins eleitorais até o fim da eleição (Band, março; Band, julho; Congresso em Foco).
Mesmo assim: o candidato que ele indicou terminou o primeiro turno à frente de Lula, e o PL fez a maior bancada da Câmara e do Senado.
Limite da medida: o campo da direita inclui partidos e líderes que não seguem Bolsonaro em tudo. O PL é a medida mais próxima do bolsonarismo, mas também não é idêntico a ele.
Fontes: números das eleições gerais no volume 1; prefeituras e capitais nos capítulos 2020 e 2024 deste livro.
Teste: e se o centrão for centro?
O volume 1 refaz as contas com União Brasil (antes PFL e DEM), PP (antes PPB) e Republicanos (antes PRB) no centro, em vez da direita. Aplicamos o mesmo teste às prefeituras e às capitais.
Eleição
Prefeituras
Capitais (26)
2000
759 · 4.059 · 622
2 · 12 · 12
2004
806 · 3.576 · 958
1 · 10 · 15
2008
864 · 3.263 · 1.328
2 · 12 · 12
2012
716 · 3.271 · 1.530
0 · 13 · 13
2016
724 · 3.639 · 1.205
0 · 18 · 8
2020
833 · 3.872 · 863
0 · 21 · 5
2024
536 · 4.244 · 749
4 · 20 · 2
Direita, centro e esquerda, nesta ordem. Em negrito, o maior bloco (os dois, em caso de empate). As prefeituras sem classificação de 2000 a 2008 continuam fora das somas.
Prefeituras: o centro já tinha o maior bloco em todas as eleições e o amplia. Em 2024, passa de 2.477 para 4.244 prefeituras, e a direita cai de 2.303 para 536, quase todas do PL.
Capitais: a esquerda empata com o centro em 2000, 2008 e 2012 e mantém o maior bloco sozinha só em 2004. De 2016 em diante, o centro lidera com folga; em 2024, a direita fica com as 4 capitais do PL.
O eixo Lula × Bolsonaro: as medidas deste livro (o PT e os candidatos apoiados por Lula, de um lado; o PL e os candidatos apoiados por Bolsonaro, do outro) não mudam, porque não dependem da classificação por campo.
Ressalvas
A classificação por campo é do autor e vale para a época de cada eleição.
Apoio declarado não é filiação: candidatos apoiados por Lula ou por Bolsonaro podem ser de outros partidos.
A eleição municipal de 2028 ainda não aconteceu, e o ciclo 2026–2028 fica em aberto.