Volume 2

Prefeituras nas urnas2000–2024

Sete eleições municipais, prefeituras e capitais, lidas no eixo Lula × Bolsonaro e ligadas às eleições gerais do volume 1.

Renato Esteves · primeira edição: 1º de novembro de 2026

Volume 1: Direita e esquerda nas urnas: 2002–2026

Apresentação e critérios

Este livro acompanha as sete eleições municipais de 2000 a 2024. É o volume 2 de Direita e esquerda nas urnas: 2002–2026, e cada capítulo aponta para as eleições gerais de antes e de depois. A pergunta que atravessa os dois volumes é simples: quem ganhou a cadeira presidencial e quem ganhou o resto do mapa político.

As duas vitórias

Lula × Bolsonaro

A classificação dos partidos

É a mesma do volume 1, pela posição de cada partido na época. Partidos que só aparecem nas eleições municipais entram na tabela do capítulo em que aparecem.

Campo Partidos
Direita PFL/DEM/União, PPB/PP, PL/PR, PRB/Republicanos, PTB, PSC, PSL, Novo, Prona, PRTB, PRP, PEN/Patriota, Missão, PST, PGT, PSD (até 2003)
Centro PMDB/MDB, PSDB, PSD (a partir de 2011), PPS/Cidadania, PTN/Podemos, Solidariedade, PROS, PTdoB/Avante, PHS, PMN/Mobiliza, PTC/Agir, PSDC/DC, PAN, PRD, PMB
Esquerda PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PPL

As duas medidas

Eleição municipal

2000: o ponto de partida

Em 2000, o centro (2.413) e a direita (2.405) ficaram praticamente empatados nas prefeituras, e a esquerda teve 622, ou 11%. Nas capitais o quadro era outro: a esquerda liderava, com 12 das 26.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda Sem classificação
Prefeituras (5.559) 2.405 (43%) 2.413 (43%) 622 (11%) 119 (2%)
Capitais (26) 6 8 12 0

Fontes: artigo sobre as eleições municipais de 2004, revista Em Tese/UFSC; PT Notícias, 2004; Poder360, série de capitais do PT.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em junho de 2000, o governo FHC tinha 19% de ótimo ou bom, 38% de regular e 41% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).

Ligação com o volume 1

Dois anos depois, Lula venceu a Presidência pela primeira vez. O resultado está no capítulo 2002 de Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2004: a primeira com Lula presidente

Na primeira eleição municipal com Lula no Planalto, o PT mais que dobrou suas prefeituras, de 187 para 411. A esquerda chegou a 15 das 26 capitais, mas o centro seguiu à frente no total de prefeituras, com 2.234.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda Sem classificação
Prefeituras (5.562) 2.148 (39%) 2.234 (40%) 958 (17%) 222 (4%)
Capitais (26) 2 9 15 0

Fontes: artigo sobre as eleições municipais de 2004, revista Em Tese/UFSC; PT Notícias, 2004.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em agosto de 2004, o governo Lula tinha 35% de ótimo ou bom, 45% de regular e 17% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a primeira vitória de Lula (2002) e a reeleição dele (2006). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2008: Lula no segundo mandato

Em 2008, a esquerda chegou a 1.328 prefeituras (24%) e manteve a maioria relativa das capitais, com 12. O PT venceu seis capitais no primeiro turno, mas perdeu todas as que disputou no segundo, inclusive São Paulo.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda Sem classificação
Prefeituras (5.553) 1.964 (35%) 2.163 (39%) 1.328 (24%) 98 (2%)
Capitais (26) 4 10 12 0

Fontes: apresentação da Alesp com dados do UOL de 27/10/2008; Kerbauy, "As Eleições Municipais de 2008", Anpocs 2010; Correio do Estado, 26/10/2008.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em setembro de 2008, o governo Lula tinha 64% de ótimo ou bom, 28% de regular e 8% de ruim ou péssimo no Datafolha (Money Times).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a reeleição de Lula (2006) e a vitória de Dilma Rousseff (2010). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2012: o auge da esquerda nas prefeituras

Em 2012, com Dilma Rousseff na Presidência, a esquerda teve seu melhor resultado da série nas prefeituras: 1.530 (28%). Nas capitais, fez 13, abaixo das 15 de 2004. A direita caiu para 1.545, em parte porque o recém-criado PSD, que classificamos como centro, recebeu prefeitos do DEM.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda
Prefeituras (5.517) 1.545 (28%) 2.442 (44%) 1.530 (28%)
Capitais (26) 4 9 13

Fontes: Congresso em Foco, quadro de prefeituras 2012–2016; Congresso em Foco, prefeitos das capitais; Sul21, sobre o PSD e o DEM.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em agosto de 2012, o governo Dilma tinha 62% de ótimo ou bom, 30% de regular e 7% de ruim ou péssimo no Datafolha (Gazeta do Povo).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a vitória de Dilma (2010) e a reeleição dela (2014). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2016: depois do impeachment

Em 2016, logo depois do impeachment de Dilma Rousseff, o PT caiu de 630 para 254 prefeituras e ficou com uma capital, Rio Branco. O centro teve seu maior resultado da série: 2.769 prefeituras (50%) e 16 capitais.

Deputados comemoram no plenário da Câmara a aprovação da abertura do impeachment de Dilma Rousseff
Deputados comemoram no plenário da Câmara a aprovação da abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril de 2016.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda
Prefeituras (5.568) 1.594 (29%) 2.769 (50%) 1.205 (22%)
Capitais (26) 2 16 8

Fontes: Bremaeker, "Desempenho dos candidatos que se elegeram prefeitos em 2016", dados do TSE; Congresso em Foco, prefeitos das capitais.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em julho de 2016, ainda como interino, Temer tinha 14% de ótimo ou bom, 42% de regular e 31% de ruim ou péssimo no Datafolha (Diario de Pernambuco; Sul21).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a reeleição de Dilma (2014) e a vitória de Bolsonaro (2018). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2020: Bolsonaro presidente

Em 2020, com Bolsonaro no Planalto, a direita voltou a crescer, para 2.220 prefeituras (40%), mas o centro seguiu à frente, com 2.485. Dos 61 candidatos que Bolsonaro apoiou, 15 foram eleitos. O PT não venceu em nenhuma capital.

Sessão solene de posse de Jair Bolsonaro no plenário do Congresso Nacional
Sessão solene de posse de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional, em 1º de janeiro de 2019, depois da vitória de 2018.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda
Prefeituras (5.568) 2.220 (40%) 2.485 (45%) 863 (15%)
Capitais (26) 7 14 5

Fontes: Bremaeker, "A importância dos partidos políticos com a eleição dos prefeitos em 2020", dados do TSE; Poder360, caderno das eleições de 2020.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em agosto de 2020, o governo Bolsonaro tinha 37% de ótimo ou bom, 27% de regular e 34% de ruim ou péssimo no Datafolha, a melhor marca do mandato até então (Tribuna de Jundiaí).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a vitória de Bolsonaro (2018) e a volta de Lula (2022). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

Eleição municipal

2024: Lula de volta, Bolsonaro como cabo eleitoral

Em 2024, com Lula de volta ao Planalto, a esquerda ficou com 749 prefeituras (14%), o menor número desde 2000, e 2 capitais, o menor da série. A direita somou 2.303 prefeituras e 11 capitais, e o PL, partido de Bolsonaro, chegou ao maior número de prefeituras de sua história.

Resultados

Medida Direita Centro Esquerda
Prefeituras (5.529) 2.303 (42%) 2.477 (45%) 749 (14%)
Capitais (26) 11 13 2

Fontes: Rede Onda Digital, números consolidados por partido; O Liberal, capitais por partido; Poder360, recorde do PL.

Lula × Bolsonaro

Avaliação do governo: em agosto de 2024, o governo Lula tinha 35% de ótimo ou bom, 30% de regular e 33% de ruim ou péssimo no Datafolha (Poder360).

Ligação com o volume 1

A eleição fica entre a volta de Lula (2022) e a reeleição dele (2026). Os dois capítulos estão em Direita e esquerda nas urnas.

As capitais, 2000–2024

A esquerda liderou as capitais nas quatro eleições até 2012 e chegou a 15 em 2004. Desde 2016, o centro está à frente, e em 2024 a direita teve 11 capitais, contra 2 da esquerda.

Prefeitos das capitais por campo, dos capítulos deste livro · classificação do autor
Prefeitos das capitais por campo, dos capítulos deste livro · classificação do autor

Por partido

Partido 2000 2004 2008 2012 2016 2020 2024
PT 6 9 6 4 1 0 1
PSDB 4 5 4 4 7 4 0
PMDB/MDB 4 2 6 2 4 5 5
PSD (criado em 2011) — — — 1 2 2 5
PFL/DEM/União 3 1 1 2 1 4 4
PL (PR) 1 0 0 0 0 0 4
PSB 4 3 3 5 2 2 1
PDT 2 3 1 3 3 2 0
PP (PPB) 1 0 1 2 0 2 2
Podemos 0 0 0 0 0 1 2
PRB/Republicanos 0 0 0 0 1 1 1
Avante 0 0 0 0 0 1 1
PTB 1 1 2 0 0 0 0
PPS/Cidadania 0 2 0 1 1 1 0
PSOL 0 0 0 1 0 1 0
PCdoB 0 0 1 0 1 0 0
Outros 0 0 1 (PV) 1 (PTC) 3 (PHS, PMN, Rede) 0 0

Capital por capital, 2008–2024

O partido é o do prefeito no dia da eleição.

Capital 2008 2012 2016 2020 2024
Aracaju (SE) PCdoB DEM PCdoB PDT PL
Belém (PA) PTB PSDB PSDB PSOL MDB
Belo Horizonte (MG) PSB PSB PHS PSD PSD
Boa Vista (RR) PSB PMDB PMDB MDB MDB
Campo Grande (MS) PMDB PP PSD PSD PP
Cuiabá (MT) PSDB PSB PMDB MDB PL
Curitiba (PR) PSDB PDT PMN DEM PSD
Florianópolis (SC) PMDB PSD PMDB DEM PSD
Fortaleza (CE) PT PSB PDT PDT PT
Goiânia (GO) PMDB PT PMDB MDB União
João Pessoa (PB) PSB PT PSD PP PP
Macapá (AP) PDT PSOL Rede Cidadania MDB
Maceió (AL) PP PSDB PSDB PSB PL
Manaus (AM) PTB PSDB PSDB Avante Avante
Natal (RN) PV PDT PDT PSDB União
Palmas (TO) PT PP PSB PSDB Podemos
Porto Alegre (RS) PMDB PDT PSDB MDB MDB
Porto Velho (RO) PT PSB PSDB PSDB Podemos
Recife (PE) PT PSB PSB PSB PSB
Rio Branco (AC) PT PT PT PP PL
Rio de Janeiro (RJ) PMDB PMDB PRB DEM PSD
Salvador (BA) PMDB DEM DEM DEM União
São Luís (MA) PSDB PTC PDT Podemos PSD
São Paulo (SP) DEM PT PSDB PSDB MDB
Teresina (PI) PSDB PSDB PSDB MDB União
Vitória (ES) PT PPS PPS Republicanos Republicanos

Para 2000 e 2004, não encontramos a lista completa por capital, só a contagem por partido.

O que os números mostram

Fontes: Kerbauy, Anpocs 2010 (2008); Congresso em Foco (2012); Congresso em Foco (2016); Poder360 (2020 e série do PT); Wikipedia, eleições municipais de 2024 e CartaCapital (2024); PT Notícias e Em Tese/UFSC (2000 e 2004).

A cadeira presidencial e o resto: Lula × Bolsonaro, ciclo a ciclo

O lado de Lula ganhou a cadeira presidencial em seis das sete eleições gerais, e Bolsonaro, em uma. No resto do mapa, o quadro é outro: desde 2022, Lula ocupa a cadeira presidencial com o menor apoio do seu campo em toda a série na Câmara, nos governos estaduais, nas prefeituras e nas capitais.

O campo do presidente em cada arena

Cada linha mostra quanto o campo do presidente eleito conquistou nas outras arenas do mesmo ciclo. Os números da Câmara e dos governadores vêm do volume 1; os das prefeituras e capitais, dos capítulos deste livro.

Ciclo Cadeira presidencial Câmara (de 513) Governadores (de 27) Prefeituras, dois anos depois Capitais, dois anos depois (de 26)
2002–2004 Lula, esquerda 151 8 958 (17%) 15
2006–2008 Lula, esquerda 163 10 1.328 (24%) 12
2010–2012 Dilma, esquerda 183 11 1.530 (28%) 13
2014–2016 Dilma, esquerda 146 11 1.205 (22%) 8
2018–2020 Bolsonaro, direita 216 9 2.220 (40%) 7
2022–2024 Lula, esquerda 125 7 749 (14%) 2
2026–2028 Lula, esquerda 124 4 eleição em 2028 eleição em 2028
Prefeituras por campo, 2000–2024, dos capítulos deste livro · percentuais sobre o total de cada levantamento · classificação do autor
Prefeituras por campo, 2000–2024, dos capítulos deste livro · percentuais sobre o total de cada levantamento · classificação do autor

O que os números mostram

A popularidade do governo e a cadeira presidencial

Datafolha, uma pesquisa por eleição, em geral de agosto do ano eleitoral (junho em 2000, outubro em 2002, setembro em 2008, julho em 2016, junho em 2018) · ponto cheio: eleição geral; ponto claro: municipal · fontes nos capítulos e no volume 1
Datafolha, uma pesquisa por eleição, em geral de agosto do ano eleitoral (junho em 2000, outubro em 2002, setembro em 2008, julho em 2016, junho em 2018) · ponto cheio: eleição geral; ponto claro: municipal · fontes nos capítulos e no volume 1

Bolsonaro fora da cadeira presidencial

Bolsonaro deixou a Presidência em 2023, mas nas duas eleições seguintes a direita e o PL cresceram. Em 2026, inelegível, preso e proibido pelo STF de se manifestar publicamente, ele teve como candidato do PL o filho Flávio, indicado em dezembro de 2025, que terminou o primeiro turno à frente de Lula.

Eleição Situação de Bolsonaro Direita Partido de Bolsonaro
2018, geral eleito presidente Câmara 216 · governadores 9 · Senado 19 de 54 PSL: 52 deputados
2020, municipal presidente, sem partido 2.220 prefeituras (40%) · 7 capitais 15 eleitos entre os 61 candidatos que apoiou
2022, geral perdeu a reeleição Câmara 260 · governadores 11 · Senado 19 de 27 PL: 99 deputados · 8 senadores · 2 governadores
2024, municipal fora do cargo, inelegível 2.303 prefeituras (42%) · 11 capitais PL: 516 prefeituras · 4 capitais
2026, geral inelegível, em prisão domiciliar e proibido de se manifestar publicamente; indicou Flávio Bolsonaro Câmara 260 · governadores 14 · Senado 30 de 54 PL: 121 deputados · 19 senadores · 6 governadores

Fontes: números das eleições gerais no volume 1; prefeituras e capitais nos capítulos 2020 e 2024 deste livro.

Teste: e se o centrão for centro?

O volume 1 refaz as contas com União Brasil (antes PFL e DEM), PP (antes PPB) e Republicanos (antes PRB) no centro, em vez da direita. Aplicamos o mesmo teste às prefeituras e às capitais.

Eleição Prefeituras Capitais (26)
2000 759 · 4.059 · 622 2 · 12 · 12
2004 806 · 3.576 · 958 1 · 10 · 15
2008 864 · 3.263 · 1.328 2 · 12 · 12
2012 716 · 3.271 · 1.530 0 · 13 · 13
2016 724 · 3.639 · 1.205 0 · 18 · 8
2020 833 · 3.872 · 863 0 · 21 · 5
2024 536 · 4.244 · 749 4 · 20 · 2

Direita, centro e esquerda, nesta ordem. Em negrito, o maior bloco (os dois, em caso de empate). As prefeituras sem classificação de 2000 a 2008 continuam fora das somas.

Ressalvas

Fontes